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Mês do Meio Ambiente: temos que correr contra o tempo

  • Foto do escritor: Ecomet Metais Sustentáveis
    Ecomet Metais Sustentáveis
  • 7 de jun. de 2021
  • 3 min de leitura

Nesse mês do Meio Ambiente, onde no último dia 05 de junho se comemorou o Dia Internacional do Meio Ambiente, a ONU Organização das Nações Unidas, reforçou a idéia do seu plano de restauração ambiental. Acompanhe abaixo a palavra de Renato Crouzeilles, Doutor em Ecologia, sobre responsabilidade ambiental e os desafios que temos pela frente.



“Degradar e desmatar florestas e suprimir vegetações nativas aumentam drasticamente a chance de novas pandemias, porque teremos mais pessoas caçando, traficando animais e até se alimentando deles. Além disso, a degradação piora a qualidade do solo, a quantidade de nascentes – e consequentemente a qualidade da água; aumenta as chances de deslizamentos, assoreamentos e enchentes e aumenta os efeitos das mudanças climáticas”, explica Renato Crouzeilles, doutor em ecologia e pesquisador associado do Instituto Internacional para Sustentabilidade.


O Brasil possui o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa e se comprometeu a recompor 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. É um dos países que dominam as técnicas de restauração, tendo já recuperado cerca de 700 mil hectares só na Mata Atlântica entre os anos de 2011 e 2015.


Para isso ser possível, Renato Crouzeilles elenca pontos importantes que conectam comunidades, universidades, instituições, ONGs, setores públicos e privados. “Para uma restauração acontecer precisamos seguir etapas importantes, começando pela sensibilização dos proprietários e produtores rurais: eles precisam entender os benefícios da recuperação de área e se dedicar a isso. Depois é necessário garantir sementes e mudas suficientes para fazer a restauração, aquecer o mercado e prepará-lo para a oferta de produtos agroflorestais”, diz.


“Outra etapa é o planejamento espacial para identificar áreas prioritárias de restauração capazes de gerar esses múltiplos benefícios, buscando sempre soluções ‘ganha-ganha’, seguido pelo monitoramento dessas áreas”, completa o especialista, que destaca o papel das instituições de pesquisa. “Ainda há muito o que estudar e descobrir sobre restauração florestal”, finaliza.


Cálculo de sucesso


Assim como a conservação sozinha não é suficiente para a manutenção dos ecossistemas, as atividades de recuperação de área também não bastam para o equilíbrio ambiental: é necessário proteger florestas maduras ao mesmo tempo em que se recupera áreas degradadas e desmatadas.


A lógica é simples: recuperar uma área garantindo uma floresta secundária tão rica quanto a floresta madura é missão quase impossível, uma vez que o processo levaria décadas e não necessariamente atingiria as características originais. “Na Mata Atlântica muitas florestas com 30, 50 anos de idade, estão sendo desmatadas e substituídas por florestas jovens. Só que a função exercida por essas novas florestas não é a mesma de uma floresta madura. Por isso, a primeira coisa é proteger para depois pensar da recuperação”, reforça Renato.


Alerta: biomas brasileiros


Outro bioma que preocupa quando o assunto é desmatamento é o Cerrado, considerado o mais ameaçado do Brasil. “Temos aproximadamente 50% de Cerrado, mas a lei o protege pouco e nós temos poucas ações de restauração voltadas a essa área, então muito ainda pode ser perdido”, explica o especialista, que alerta sobre um dado preocupante.

“Temos projeções de que até 2050 perca-se 30% do Cerrado. Se isso acontecer, vamos ter a maior extinção de flora já vista no mundo”, lamenta o especialista.


Dados da recuperação de florestas


Ainda que o processo de recuperação seja demorado, alguns índices despertam esperança e comprovam ser possível restaurar ecossistemas devastados: uma pesquisa publicada pela Trillion Trees (projeto coordenado por três das maiores organizações de conservação do mundo - BirdLife International, Wildlife Conservation Society e WWF) aponta que cerca de 58,9 milhões de hectares de florestas naturais foram recuperados no mundo desde o ano 2000.

Para identificar áreas de floresta regeneradas foram analisados dados de uso e cobertura da terra, imagens de satélite, informações de sensoriamento remoto e feedback de especialistas de 29 países e mais de 100 locais diferentes.



 
 
 

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