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Brasil precisa reforçar a ciência e a resposta aos efeitos climáticos em zonas costeiras

  • Foto do escritor: Ecomet Metais Sustentáveis
    Ecomet Metais Sustentáveis
  • 4 de jul. de 2022
  • 3 min de leitura

Municípios como Recife e Santos lideram planos de adaptação e mitigação no país, instrumentos cruciais debatidos durante a segunda Conferência dos Oceanos da ONU, realizada em Portugal.


O oceano pode reduzir as emissões de carbono em 11,8 gigatoneladas até 2050, ou 21% da meta estabelecida no Acordo de Paris – uma contribuição importante para colocar o planeta em uma trajetória de 1,5ºC de aumento médio da temperatura. Para alcançar este objetivo, são necessários investimentos em cinco áreas: energia renovável, transporte marítimo, ecossistemas marinhos e costeiros; pesca, aquacultura e mudanças alimentares; e estoque de carbono no solo oceânico.

A estimativa é de um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lançado em 1º de julho, durante o último dia da Conferência dos Oceanos das ONU.


Cerimônia de encerramento da segunda Conferência dos Oceanos da ONU, realizada em Lisboa, Portugal, entre 27 de junho e 1° de julho.

Ecossistemas costeiros, como manguezais, marismas e pradarias marinhas, podem armazenar dez vezes mais carbono no solo do que os terrestres. Quando saudáveis, esses ambientes mantêm a biodiversidade em equilíbrio e garantem a segurança alimentar, o turismo e os modos de vida das comunidades costeiras, além de amenizar eventos climáticos extremos como tempestades e ressacas do mar.

Nas zonas costeiras vivem em torno de 680 milhões de pessoas, com projeção de aumento para 1 bilhão em 2050, de acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). O Pacto Global das Nações Unidas calcula que a pesca marinha é responsável por 57 milhões de emprego. Os peixes, por sua vez, consistem na fonte primária de proteína de mais da metade da população mundial.


Apesar da importância, o relatório da Unesco apontou que os ecossistemas costeiros estão entre os mais ameaçados do planeta, com perda de até 516 mil km² a cada ano. São afetados, por exemplo, por extração predatória dos recursos, desenvolvimento urbano e industrial, poluição, agricultura e da aquacultura. Desequilibrados, podem liberar CO2 para a atmosfera e, assim, contribuir para intensificar a crise climática.


“Vivemos em um mundo de risco de desastre sem precedente. Nos últimos 20 anos, a frequência e a intensidade dos desastres têm aumentado, e a maioria deles possui relação com a água”, disse Mami Mizutori, secretária-geral para Redução do Risco de Desastres, do Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres, em uma sessão oficial da Conferência dos Oceanos. Desenvolvimento desordenado, mudanças climáticas, degradação ambiental e uso insustentável dos recursos representam os principais motores desses riscos. Se essa tendência atual continuar até 2030, a estimativa é de que ocorrerão 560 desastres de média e grande escala por ano no planeta, ou três a cada dois dias.


“Sabemos que esses desastres impactam desproporcionalmente as áreas costeiras e pequenos estados insulares em desenvolvimento”, prosseguiu Mizutori. “Para alcançar a Agenda 2030, precisamos integrar a redução de riscos no coração do desenvolvimento, das políticas econômicas, legislação e planos, porque nada erode mais o desenvolvimento sustentável do que desastres.”


Sinergia oceano-clima


No Brasil, a dependência marinha se expressa ao longo dos quase 8, 5 mil km da costa e das ilhas banhadas pelo Atlântico, onde estão situados 395 municípios em 17 estados. Para 19% da população brasileira, oceanos saudáveis são questão de sobrevivência diante da crise climática.

Os planos e compromissos para a Década do Oceano (2021-2030) foram tema de um evento realizado no primeiro dia da Conferência dos Oceanos da ONU. Organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil, o painel reuniu representantes de países lusófonos (Angola, Cabo Verde e Portugal) para discutir os planos de cada nação e meios de cooperação em pesquisa, além de respostas à crise climática.


Mizutori destacou dois pontos cruciais para preencher lacunas e cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que visa proteger a vida marinha. Primeiro, as revisões do Marco de Sendai, em 2023, que trata da redução de riscos, e da ação da Década Internacional da Água. Outro ponto consiste na iniciativa lançada em março passado pela Organização Meteorológica Mundial: a implementação, em cinco anos, de um sistema global de alerta e ação precoce, que una avisos meteorológicos e hidrológicos.


“Esse sistema precisa estar conectado com a ação precoce em campo. Isso precisa ir além, ou seja, deve alcançar a população mais vulnerável e cobrir o mundo inteiro, porque atualmente apenas 40% dos países em desenvolvimento estão cobertos por tais sistemas”, analisou Mizutori. “A resiliência das comunidades costeiras está estritamente ligada à saúde dos ecossistemas marinhos e costeiros. E o momentum oferecido por essa conferência não pode ser desperdiçado.”


Fonte: National Geographic Brasil

 
 
 

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