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Como o plástico ameaça o meio ambiente

  • Foto do escritor: Ecomet Metais Sustentáveis
    Ecomet Metais Sustentáveis
  • 14 de jul. de 2022
  • 3 min de leitura

O material milagroso permitiu o desenvolvimento da vida moderna. Mas mais de 40% do plástico produzido é usado uma única vez e jogado fora.


Se o Mayflower, o barco dos pioneiros colonos ingleses – os chamados Peregrinos, que saíram de Plymouth, na Inglaterra, rumo à América do Norte –, estivesse cheio de garrafinhas plásticas de água, esse lixo ainda restaria entre nós. Quatro séculos depois. Se os Peregrinos tivessem feito como muita gente costuma fazer, jogado ao mar garrafas e embalagens, as ondas e a radiação solar no Atlântico teriam desgastado todos esses objetos de plástico, reduzindo-os a fragmentos minúsculos. Esses fragmentos poderiam estar flutuando até agora nos oceanos do planeta, absorvendo toxinas que iriam aderir àquelas já presentes neles, e acabariam sendo ingeridos por algum peixe ou ostra. E talvez terminassem no prato de um de nós.


Temos de ser gratos aos pioneiros por não usarem nada de plástico, pensei pouco tempo atrás no trem que me levava até Plymouth, na costa sul da Inglaterra. O motivo da viagem era conversar com uma pessoa que me ajudaria a entender a confusão em que estamos metidos graças aos resíduos plásticos, sobretudo nos mares.



Como o plástico só foi inventado no final do século 19, e a sua produção se tornou de fato relevante por volta de 1950, temos de lidar com meros 8,3 bilhões de toneladas do material. Desse total, mais de 6,3 bilhões já viraram resíduos. E a quantidade assombrosa de 5,7 bilhões de toneladas jamais passou por nenhum tipo de reciclagem – resultado que chocou os cientistas que calcularam tais números em 2017.


Ninguém faz ideia da efetiva proporção desse lixo plástico não reciclado que acaba nos oceanos. Em 2015, Jenna Jambeck, que leciona engenharia ambiental na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, atraiu a atenção geral com uma estimativa: a cada ano, entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas de resíduos chegam ao mar. A maior parte do lixo não vem dos navios, explicam ela e os seus colegas, mas é descartada em terra e nas margens dos rios, sobretudo na Ásia. Só depois tais resíduos são carregados, pelo vento e pela água, até o oceano. Basta imaginar 15 sacolinhas repletas de tralha plástica, contabiliza Jambeck, boiando a cada metro de toda a linha da costa ao redor do mundo – isso corresponderia a cerca de 8 milhões de toneladas, a sua estimativa média da quantidade de lixo que os oceanos recebem a cada ano. E não está claro quanto tempo leva para esse plástico se desintegrar por completo em suas moléculas constituintes. As estimativas variam de 450 anos a nunca.


Depois da enxurrada de lixo plástico transparente ter chegado ao Rio Buriganga, em Dhaka, Bangladesh, Noorjahan estende o material para secar, virando-o regularmente, enquanto também cuida de seu filho, Momo. O plástico será vendido para um local de reciclagem. Menos de um quinto de todo o plástico é reciclado mundialmente. Nos Estados Unidos, o montante é de menos de 10%.

Por outro lado, é bem provável que todo esse plástico venha causando a morte de milhões de animais marinhos a cada ano. Já se comprovou que quase 700 espécies, incluindo algumas em risco de extinção, foram afetadas por resíduos plásticos. Em algumas elas, o dano é evidente – animais estrangulados por itens descartados, como redes de pesca. Em muitos outros casos, porém, os prejuízos são invisíveis. Espécies de todos os tamanhos, de plâncton a baleias, agora ingerem micropartículas de plástico, fragmentos ínfimos que medem menos de 5 milímetros. No Havaí, em uma praia que aparentemente deveria estar intocada – não há acesso por estrada pavimentada –, senti os meus pés afundando em crepitantes micropartículas de plástico. Depois dessa experiência, entendi por que há pessoas que veem no acúmulo de resíduos plásticos nos oceanos um sinal de catástrofe iminente, algo tão alarmante quanto as mudanças climáticas.


Há uma diferença crucial: a questão do plástico nos mares não é tão complicada quanto a das mudanças climáticas. Ao menos por ora, ninguém nega o excesso de lixo. E, para começar a resolver o problema, não precisamos refazer todo o sistema de geração de energia no planeta.


“Não estamos diante de um problema para o qual não há solução”, diz o economista Ted Siegler, um especialista em recursos. “Sabemos como recolher o lixo. Todo o mundo pode fazer isso. Sabemos também como dar um destino a ele. E como reciclar esse material.” O que falta é criar as instituições e os sistemas necessários, diz ele – em termos ideais, antes que o oceano se torne, de forma irremediável e pelos séculos vindouros, uma sopa rala de material plástico.


Fonte: National Geographic Brasil



 
 
 

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